domingo, 31 de janeiro de 2010

Uma receita mediterranea


A cozinha e a dieta mediterrânea não são a mesma. Nem todos os pratos da cozinha mediterrânea respondem aos preceitos da dieta mediterrânea; somente a cozinha familiar rural do dia a dia é que guarda paralelismo. Os pratos das celebrações, muito ricos em carnes e peixes e muito pouco em vegetais, usados como acompanhamentos ou condimentos, não cumprem aqueles princípios.
A partir da década de 1950 e em conseqüência do aumento das doenças cujas causas foram atribuídas a determinados hábitos alimentícios da população, as organizações americanas responsáveis pela saúde pública promoveram estudos e investigações destinadas a resolver os problemas que adquiriam dimensões da epidemia ao afetar um grande número de pessoas em diversos países.
Foi realizada uma análise da alimentação de diferentes regiões do mundo e constatou-se que na região do Mediterrâneo a incidência de enfermidades cardiovasculares era muito pequena; as investigações demonstraram que havia uma constante na forma da alimentação dos povos mediterrâneos que resultavam favoráveis à prevenção das doenças “modernas”. A partir da década de 1990 inicia-se a divulgação sistemática e massiva da uma dieta selecionada entre as formas de alimentação mediterrânea. Esta seria a primeira dieta saudável baseada em pautas de alimentação tradicional. Esta divulgação compete com a que se fazia da dieta oriental que, mesmo utilizando ingredientes diferentes, responde por princípios similares.
O privilegio da escolha da dieta mediterrânea, para ser promovida em primeiro lugar, deve-se ao fato de que seus ingredientes e sabores lhe resultavam mais familiares aos americanos. Não por acaso a base da cozinha e culinária ocidental esta no mediterrâneo.
Atualmente tanto a cozinha como a dieta mediterrânea, estão na moda e merecem a atenção de todo o mundo, em particular dos grandes chêf, culinaristas e profissionais das áreas de nutrição e saúde.
De fato os ingredientes da cozinha mediterrânea, em abundancia no Brasil, exceto o azeite de oliva e alguns temperos, permite uma grande evolução na criatividade culinária.
Apesar de que a minha origem não é da região mediterrânea, me considero um adepto desta culinária, tendo-a praticado desde a infância.




Ingredientes: (para duas pessoas)

4 fatias de atum fresco;4 tentáculos de polvo;4 camarões graúdos;4 mandioquinhas;7 dentes de alho;½ cenoura;6 vagens;1 colherinha de chá de pimentão doce (páprica doce);2 colherinha de chá de mostarda;Sal e pimenta branca a gosto

Pré-preparação:

Este prato é elaborado em várias etapas, pois cada ingrediente principal requer preparação prévia. Na verdade o prato é uma montagem.

Preparação do polvo:

Para que o polvo fique macio, depois de limpo e lavado damos três "sustos" nele.

Em uma panela proporcional ao tamanho do polvo, colocamos abundante água com um pouco de sal grosso e deixamos ferver. Espetamos o polvo inteiro com um garfo comprido e nessa primeira fervura "afogamos" o polvo até a água parar de ferver, o polvo vai ficar com os tentáculos contraídos, o retiramos da água. Quando a água voltar a ferver e os tentáculos do polvo ficarem distendidos, damos um novo banho até a água não mais ferver. Novamente o retiramos da água. Repetimos o procedimento por uma terceira vez. Logo colocamos na mesma água um pouco de azeite de oliva e recolocamos o polvo, deixando cozinhar por uns vinte minutos ou meia hora, conforme o tamanho do polvo. O fogo deve ser forte o tempo todo, deixando a panela semitampada. Vai ficar macio, mas consistente, preservando todo o seu sabor.
Uma vez cozido, separamos dois tentáculos de cada vez; reservamos.

Preparação do Atum:

Corte quatro fatias do lombo do atum de aproximadamente um centímetro de espessura. Faça um preparado com sumo de um limão, uma colherinha de chá de mostarda, um dente de alho esmagado, uma pitada de pimenta branca e sal. Esfregue esse preparado nas fatias do atum e reserve.

Camarões:
Os camarões devem ser graúdos, comprados com casca. Lave bem e cozinhe no vapor ou com um mínimo de água até pegar a cor avermelhada. Reserve.
Purê de mandioquinha:
Cozinhe em pouca água quatro mandioquinhas (raiz conhecida por vários nomes: batata baroa, batata baronesa, batata cenoura e cerofolho), até ficarem macias. Proceda como se fosse fazer um purê de batatas. Amasse misturando manteiga, uma pitada de pimenta branca e sal.
Hortaliças:

Cozinhe em pouca água a cenoura e as vagens. Quando amaciarem retire d´água. Cortar a cenoura em tiras finas e reservar.

Alho Óleo:

Coloque numa frigideira pequena três colheres das de sopa de azeite de oliva, misture a páprica doce, a colherinha de mostarda e uma pitada de sal. Fatie os dentes de alho bem finos. Reserve.
Preparação e montagem

Leve ao fogo uma frigideira média com cinco colheres de sopa de azeite de oliva; quando esquentar coloque os tentáculos do polvo num canto, no outro disponha as fatias de atum, e no meio os camarões, em meio minuto vire as fatias de atum, o polvo e os camarões. Nesse meio tempo leve a esquentar a frigideira pequena com o alho fatiado. Coloque o purê de mandioquinha para esquentar (se for o caso acrescente um pouco de azeite de oliva para ficar em ponto de purê) e aqueça a cenoura e vagens.
Aqueça previamente os pratos. Decore-os com algo de seu agrado (folinhas de aipo, rúcula ou tirinhas de cenoura, etc). Inicie a montagem deitando as duas fatias de atum e por cima de cada uma coloque um camarão, arrume ao lado, os tentáculos de polvo, o purê de mandioquinha e as cenouras e vagens. Regue por cima de tudo o alho óleo preparado na frigideira pequena. Leve à mesa. Com um bom vinho branco seco é um prato leve e delicioso.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Polvo maravilhoso!

No mês de outubro de 2009 estive na região de A Coruña, na Espanha. A caminho de Santiago de Compostela, visitei a cidade de Mélide, município desta província da comunidade autônoma da Galicia.

Ali existe um polvo excepcional, que é servido aos peregrinos em diversas casas especializadas.

Mas uma delas se destaca: La Pulperia de Ezequiel.

O negócio foi aberto por Ezequiel e sua esposa, logo após seu casamento em 1960. Eles começaram cozinhando o polvo na rua e quatro mulheres vestidas de preto ajudavam a cortar e servir. Os convidados sentavam-se em bancos compridos em mesas comunitárias. Hoje, o Ezequiel, 'alma mater' é aposentado e sua esposa recentemente sofreu um derrame de tanto trabalhar. Atualmente quem “segura as rédeas do negócio e Mercedes, a sua filha e seu marido Jorge, um digno sucessor que aprendeu a arte de cozinhar o povo ao estilo da casa.
A taberna sofreu várias reformas e, embora conserve a essência, tem capacidade para 600 comensais. Jorge revela que o segredo de sua receita é "que o polvo seja da Galicia", "O congelamos de oito a dez dias para matar o nervo”. Ezequiel vende 150 quilos de polvo por dia, "mas antes da crise, vendíamos 300 quilos.

Primeiro esquenta a água. "O polvo tem que ser firme, as fêmeas não dá para comer porque elas são como goma de mascar. "O deixo dez minutos na água fervendo e depois uma hora e meia de descanso na água". Uma vez pronto, se corta com tesouras e é servido em pratos de madeira. O toque final é o sal e o pimenton, vertidos sobre o polvo. Cada porção e vendida a seis Euros. O polvo é servido com batata cozida, pão e outras delícias da cozinha galega, tudo bem regado com taças de vinho branco Ribeiro.
Nesta empreitada me acompanharam: minha esposa Bete e os amigos Cláudio e Maria Alice. O Cláudio não aparece na foto porque está de fotógrafo.

O começo

Gourmeteria: lugar de gourmets? ou sinônimo de gastronomia? Ou lugar que reúne as formas de preparar e apreciar um prato?. Em fim, a interpretação não tem tanto significado quanto o que nos levou a criar este blog. Aqui você pode acessar receitas, comprar produtos exclusivos, ler comentários sobre gastronomia, culinária, e outros assuntos de interesse de quem curte a gastronomia na completa acepção da palavra.

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Este blog se propõe criar a parte dinâmica da Gourmeteria, para interagir com os leitores em tudo que diz respeito a gastronomia.

Mas a intenção não é criar um blog profissional ou para profissionais, apenas um ambiente no qual você possa aprender a produzir pratos simples ou complexos, sugerir suas experiências gastronômicas, comentar, criticar e principalmente: fazer amigos. As minhas receitas não são copiadas ou inseridas no blog e no site, sem antes terem sido produzidas na minha cozinha e experimentadas por mim. Todos os assuntos aqui comentados são da minha exclusiva autoria e sob a minha total responsabilidade, a não ser aqueles em que é citado o autor.

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